Meniscos

Compostos por uma matriz orgânica que contém colágeno (tipo 1) , fibroblastos e fibrócitos, além de uma  grande quatidade de água (aproximadamente 70%), os meniscos são estruturas internas do joelho, responsáveis principalmente pela absorção de impactos e adaptação do fêmur à tíbia.

Seu poder de absorção se deve a sua elasticidade, proveniente da quantidade de água que possui, e pela disposição das fibras em sua estrutura, que transmitem o impacto para a periferia do menisco pelas fibras radiais (centrais) e o dissipam através das fibras circunferenciais. É o amortecedor dos joelhos.  

Existem dois meniscos em cada joelho: um próximo à linha média do corpo chamado de MEDIAL e um do lado oposto chamado LATERAL.

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A característica de adaptação óssea do menisco é dada pelo seu formato achatado, tendo a base reta que fica apoiada perfeitamente a tíbia, e a parte superior côncava, acoplada perfeitamente aos côndilos femorais convexos. É a peça de encaixe deste quebra-cabeça.

Além destas, possui outras funções como: estabilizador secundário do joelho, auxiliar nos movimentos e na dissipação do líquido sinovial, que é o “óleo” articular.

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A vascularização dos meniscos é muito pobre. O menisco medial possui vasos sanguíneos em 10% a 30% da extensão de sua superfície, e o menisco lateral entre 10% a 25%.

Podemos dividi-los em 3 zonas distintas: a vermelha-vermelha (VV), a vermelha-branca (VB) e a branca-branca (BB), de acordo com a presença de vascularização local, senda a VV a mais irrigada e a BB menos. Sendo assim, é importante ressaltar que pela baixa vascularização, o poder de cicatrização do menisco torna-se baixo (principalmente nas zonas VB e BB), fato este que deve ser levado em consideração diante de uma lesão meniscal.

 

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Completando sua estrutura temos a sua inervação. Três tipos de terminais nervoso principais estão presentes nos meniscos: Ruffini, que são os lentos (para início de movimentos), Paccini, rápidos (importantes para a propriocepção) e Golgi, ativados em movimentos extremos (ajuda a impedir lesões).

Os meniscos medial e lateral tem diferenças anatômicas e funcionais.

- Menisco MEDIAL: 
      * Formato de C
      * Apresenta ligação importante à cápsula articular (ligamento coronal)
      * Importância maior na estabilidade do joelho, sendo muito exigido em pacientes com lesão do LCA.
- Menisco LATERAL:
      * Formato de O
      * Apresenta ligações mais frouxas à cápsula articular, com gap do tendão do poplíteo
      * Importância na estabilidade, nos movimentos rotacionais e na translação femoro-tibial.

 

As lesões meniscais podem ser de causa traumática ou atraumática. Normalmente os entorses ou traumas laterais/mediais, são os principais causadores destas lesões.

Sobrecargas ou o próprio envelhecimento podem gerar lesões de caráter degenerativo no menisco. Uma das situações que mais se observa este tipo de lesão são em pacientes com lesões prévias no joelho, com instabilidade crônica (mais comum em sequelas de lesão do LCA). Nestes casos ocorre uma sobrecarga principalmente do menisco medial na tentativa de impedir a anteriorização da tíbia em relação ao fêmur. Pacientes com desvios angulares no joelho (varo ou valgo) podem também apresentar lesões degenerativas.

Os sintomas característicos são: dor na interlinha articular (medial ou lateral), falseios ou bloqueios (podendo haver restrição para dobrar ou esticar o joelho), inchaços e dificuldade para realizar atividade físicas ou cotidianas. 

O diagnóstico é clínico, composto pela história da dor e característica dos sintomas do paciente e testes clássicos específicos, somado a um exame de imagem (RNM) complementar.

Alguns tipos de lesão de menisco, principalmente as degenerativas e algumas traumáticas podem  e devem ser tratadas conservadoramente. É importante nestes casos, pelo fato de haver normalmente lesões associadas, avaliar as chances de sucesso e a participação da lesão meniscal nos sintomas do paciente. Terapia medicamentosa e fisioterápica formam a base deste tratamento. Se a evolução for satisfatória, ouvindo sempre a opinião do paciente, um trabalho de fortalecimento muscular de manutenção deve ser instituído.

Já lesões com sintomas exuberantes ou que falharam ao tratamento conservador devem ser tratadas por artroscopia. Nestas situações deve-se avaliar a possibilidade de sutura do fragmento lesionado, que pode ser feita nas lesões insercionais (área VV), e imporá uma reabilitação mais longa ao paciente. Nos casos de impossibilidade de sutura, deve-se realizar a excisão apenas do fragmento machucado, preservando ao máximo o restante do menisco, o que a longo prazo será fundamental para evitar artrose e a curto prazo manterá a homeostasia articular.